Domingo, Dezembro 02, 2007

Eu me devoro




Independente da estação

Eu vou continuar sentindo isto.

Vou continuar com a sensação de que nada deu certo,

De que tudo poderia ter sido melhor,

De que eu poderia ter feito muita coisa

Mesmo que tudo tenha dado certo,

Que todos tenham aplaudido

Que eu tenha sido louvado...



Não sei o que eu quero dizer com os meus olhares.

Quando olho para alguma coisa,

Não sei o que esperar dela,

Não sei o que eu quero dela,

Não sei nem mesmo se quero pensar nela,

E isso não me importa.



Não me importa que eu não seja bom de fato.

Não me importa que eu não seja um exemplo a ser seguido,

Não importa que as pessoas olhem para mim com olhos de desdém.

Eu não quero parecer ser nada.

Às vezes quero apenas dormir.

Quero deitar fantasiando meu mundo para viver nele durante o sono.



Tem dia que a vontade de acordar não chega...

Inconscientemente quero continuar dormindo,

Porque o sono consome meu fracasso.

Porque no sono eu sou bom e sou fiel e feliz.

Quero dormir e mais nada.



Não que eu seja covarde por não querer enfrentar a vida.

Muito menos de ter medo de conhecê-la como ela realmente é.

Pelo contrário. Sei disto.

Conheço bem o mundo em que vivo e as pessoas que me cercam.

E quanto mais eu conheço,

Mais sono eu tenho,

Menos vontade me dá de enfrentar tudo.



Não estou triste. Muitas coisas me encantam de verdade.

Só que eu mesmo não dou conta de mim.

Eu não me satisfaço e não me completo com nada e

Com ninguém...

Quando amo, amo mesmo.

Quando choro, choro mesmo.

Mas no fundo tudo é vazio.

Tudo é previsível em mim afinal.



A perspicácia que eu tenho quando estou no meio de gente

Me faz ter medo de que nada do que eu tenho feito

Para fazer bom uso da matéria da qual sou constituído valeu mesmo a pena.

Talvez minha alma seja pequena e talvez isso não importe também.

Dentre tumultos e momentos de paz eu não defini o que importa.

6 opiniões:

Pierrot disse...

Como prometi,volto a te escrever!Vc as vezes é paradoxal.Não admiti q se importa com os fatos,mas não consegue se enganar.Diz que não se importa,mas se questiona o tempo todo,e ao final justifica-se "Não que eu seja covarde..." E o que é isso se não se importar Diana?
É fascinante o quanto você pensa,reflete e tranpassa sua dor em textos.Sei que você gosta da vida,mas não absorva as dores do mundo com tanta garra.Viva intensamente,e não se arrependa,se coloque me 1° plano.
"Minha luta é comigo msm,
me vencer diariamente é o meu maior desafio
pq o q sou é um afronto ao q não sou"
Abraços!Sinto você...

Diana disse...

Acho mto legal a forma como vc analisa meus textos.

Gostaria de saber quem é vc...

Abraços e obrigada pela atenção.

Pierrot disse...

Olá Diana!Gosto muito dos seus textos e confesso que sempre espero pelo próximo.Eu também gostaria muito de te conhecer pessoalmente,mas confesso que te conhecer pela transparência dos seus textos me é hoje muito mais excitante.O seu interior me parece doce,macio e forte...Talvez nossos caminhos se cruzem um dia,meu temor é não te reconhecer,pois nunca vi nada além de algumas fotos.Temo ainda que você se decepcione,ou que eu me decepcione.Vamos continuar imaginando,nossa mente pode,cara colombina.
PS:Gostei de me comunicar aki com vc,se importa??
Abraços

Diana disse...

Olá... Claro que não me importo. Também acho mais excitante esta forma de conversa. De qualquer maneira obrigada mais uma vez. E concordo com vc, é melhor ficarmos imaginando mesmo. A imaginação é uma coisa mto interessante...

Abraços e em breve vou postar um texto novo.

Pierrot disse...

Fico extremamente feliz ao ver que vc me corresponde.Seria então uma 1° decepção se vc não o fizesse.Por que é o que espero de uma mente questionadora como a sua.Tenho a cada dia mais desejo de falar com você,mas não quero estragar o mistério que nus atrai.Aguardo o próximo texto.
PS:Espero que você não se incomode com minha escrita aki,pq usualmente não releio,desta forma erro e sou redundante em alguns momentos.Abraços,Colombina!

a.d. disse...

cheguei por acaso.
atrasado também.

boa escrita flor.
ela rega o seu nascer a todo momento e traz a sua transparencia,desde o começar ate o fim de suas letras.

alv. dant.