Quem é ele? Quem é ele?
Seus olhos indagavam de forma inquieta. Ela queria saber quem era aquele homem que ela via e fazia seu peito omitir ruídos ocos.
Aquela foi a primeira vez que se viram. Ele certamente não sentiu a mesma coisa que ela. Mas ela o amou desde aquele instante, tinha certeza disso. O encontro foi fruto do acaso. Trocaram algumas palavras e ela percebeu que o olhar dele não era como nenhum outro. Trocaram telefones também, ele com interesse profissional, ela com interesse sentimental.
Sempre que podia chegava junto àquela janela para ver se conseguia distrair seus pensamentos. Mas não, era em vão. Tudo que fazia só levava seus pensamentos em direção aquela imagem: sorriso largo, boca carnuda e tão vermelha que dava uma vontade de fazer não sei o quê.

Só conseguia pensar em outra coisa algumas poucas vezes, quando, por exemplo, ia até a janela e notava que ela estava emperrada. O que a distraía era o esforço para abrí-la. E todos os dias era a mesma coisa. Não cansava. Pensava que não era porque aquela janela era difícil de abrir que ela deixaria de fazer isto. Mas nunca conseguira ver aquele homem pela janela. Apenas o via nos seus sonhos por dormir pensando nele.
Nesta noite ela havia sonhado com uma música. Nunca tinha escutado aquela música na sua vida, nem mesmo sabia se ela existia ou se foi uma composição do seu sonho. Novamente foi até a janela com aquela ilusória esperança de vê-lo passar e mais uma vez o esqueceu devido ao emperramento da janela, só que desta vez foi diferente... Quando estava quase conseguindo o que queria começou a ouvir a música do sonho e sentiu-se dormindo e não estava.
De onde viria aquela harmonia que a levara ao paraíso durante a noite? A música existia de verdade e tocava baixinho em harmonia com os socos que emitia no peito. Este era o sentimento mais leve que já teve em toda a sua vida, era a coisa pela qual ela procurou em todos os homens com os quais se relacionou e agora ela simplesmente não sabia de onde vinha, nem porque vinha.
Encostou o corpo no parapeito. Seu telefone tocou. Mesmo antes de atender ela sabia que era ele. E era mesmo. Ele só precisava de uma informação, coisas de trabalho. Para ela era o suficiente. Desligou o telefone, fechou a janela e a música pouco a pouco foi sumindo... Encontraram-se outras vezes mais.
Quando estive com ela pela última vez ela ainda queria saber quem era aquele homem. E se eles ficaram juntos depois eu não sei dizer, não consegui terminar este texto ainda.

7 opiniões:
O que podemos fazer a qualquer momento.
Ver em uma pessoa desconhecida muito de uma esperança num sentimento conhecido, e pouco se sabe se esses olhares podem se trocar e ter o mesmo pensamento.
quantas vezes eu num vi em alguém a minha vontade de amar? e sempre será assim?
o fim do seu texto será o desfecho do acaso.
Bela escritura a sua
Abraços
Adorei o blog! Sinceramente, é um dos melhores que tenho visitado desde que fiz o meu e fico perambulando por outros para comentar.
Fiquei curiosa para saber o final do texto! Espero que ela consiga descobrir quem é o homem.
Beijos!
o que eu faço pra gostar de poesia?
não gosto de ler coisa triste, e 95% das poesias são tristes... por quê?
abraço.
Aguardo ansiosamente o fim do texto.
A história continua?..rs... Olha, gracias pelos elogios. Adorei. E vc também escreve bem, continue assim, escrevendo sempre. E sobre o post, bem, todos nos encantamos dessa forma pelo menos uma vez na vida com alguém.
Se o seu coração é de poeta?
Não sei.
Mas inspira poesia.
Parabéns pelo blog.
;)
Parabéns, Milady!
São pessoas como você, com suas belíssimas elocubrações, que nos fazem prosseguir na nossa caminhada pelo chamado mundo da "blogsfera".
Adorei tudo o que eu li, e se continuar assim, com certeza, farei muitas visitas ao seu blog!!!
Meus sinceros parabéns e continue sempre assim! Beijão e sorte no que for fazer!
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