Domingo, Setembro 02, 2007

"No fundo tudo é insignificante"

Eu nasci em 1988. Praticamente junto com a vida moderna.
Nasci junto com a era da internet, com a era da tecnologia avançada. E junto comigo também nasceu uma época de comodismo. Hoje em dia os políticos prometem, roubam e mentem descaradamente na frente de todo mundo e ainda somos capazes de colocar gente assim no poder novamente. O comodismo estampado não só na política, mas também na música se revela principalmente através dos jovens que escutam o tal do "batidão", o funk sem raiz, o pagode, agora vejam que coisa, o nosso maravilhoso samba atualmente é confundido com pagode!!!! Alguém, por favor, pode me explicar como se confunde "as rosas não falam" com "a paixão me pegou"?
Não obstante aceitarmos calados a política, a música, aceitamos até a literatura de baixo nível... Se é que alguém ainda "perde tempo" com livros, sendo que é muito mais prático fazer tudo pela internet.
A minha geração se perdeu culturalmente.
Quando eu me dei conta da vida, eu vi quanto tempo eu havia perdido...
Hoje eu corro atrás das velhas canções de Tom Jobim, Chico Buarque, Noel, Cartola, Caetano, Elis, enfim, tento ler os livros clássicos, tento fazer alguma coisa para que pelo menos eu tenha a consciência tranqüila de que a minha parte eu fiz para manter a alta qualidade de tudo que eu posso ouvir, ler e participar.
Perdi os "Anos Dourados" da música e da literatura.
Inquietamente busco pelo tempo em que eu não era nascida, sem perder a atenção nas coisas boas do meu tempo, que não são tantas como outrora, mas ainda existem.
Atualmente minha admiração, mais do que declarada, cai sobre Fernando Pessoa, talvez pelo conteúdo filosófico de suas poesias, talvez pela sensibilidade do poeta, talvez pelo enigma que ele representa, não sei. Gosto de ler Fernando Pessoa bem devagar...

E agora descobri um "novo" escritor: José Saramago (que por coincidência, ou não, é também um grande admirador de Pessoa).
Quero começar a ler os livros dele o mais rápido possível. Quero começar pelo Evangelho Segundo Jesus Cristo, sem fazer nenhuma apreciação antes de ter contato com a obra. Quero começar por ele porque achei interessante o fato deste livro ter sido considerado uma ofensa aos católicos portugueses da época em que foi escrito e, por este motivo, censurado.

Abaixo segue um trecho do livro.








É... Quanto mais eu me dou conta de como é rica a literatura mais eu penso em como já perdi tempo.

Só pra finalizar, como disse Saramago, em entrevista ao Jornal da Globo: "No fundo tudo é pouco, tudo é insignificante".

0 opiniões: