Citar Fernando Pessoa tantas vezes durante as postagens anteriores tinha dois motivos muito importantes: 1°) Eu ter me tornado uma grande admiradora de sua obra e ter estudado durante muito tempo muitos de seus poemas; e 2°) A participação no espetáculo PESSOAs, o encontro de Fernando Pessoa e a música brasileira. Na verdade, pela ordem lógica das coisas, a participação no espetáculo antecedeu o meu interesse pela obra pessoana, afinal antes disso acontecer eu tinha um vago conhecimento sobre alguns poemas dele.
Desde quando começamos os ensaios eu achava o máximo, sentar com meus colegas de palco e discutir durante horas as questões, muitas vezes filosóficas, que envolvem toda a poesia de Pessoa. Sempre tive muito entusiasmo em ir para os ensaios e dedicar pelo menos duas horas diárias ao espetáculo.
Durante os ensaios nós discutíamos, pensávamos muito sobre cada palavra, mudávamos, crescíamos na questão de analisar as idéias do poeta. E tínhamos também, muito medo da reação do público que iria nos assistir, visto que esse tipo de espetáculo não é muito comum, pois, muitas pessoas se acostumaram com o teatro que traz uma história com princípio, meio e fim, coisa que comumente um espetáculo de poesia não traz.
Depois de um certo tempo, estudando não só o significado dos versos, mas também a forma como os falaríamos para que eles se encaixassem perfeitamente nas músicas, veio o primeiro contato com o palco e a libertação do texto escrito. Foi, grosseiramente falando, um choque,
principalmente pra mim que sou a menos experiente do grupo e tenho uma dificuldade enorme de soltar o corpo em cena.
Obstáculos sendo vencidos a cada ensaio e a data da estréia se aproximando, data que foi adiada e reduzida devido a problemas pessoais. Os ensaios então passaram a ter como pano de fundo muita expectativa e tensão.
Data de estréia confirmada: Dia 11 de maio de 2007, sexta-feira, com apresentações também nos dois dias seguintes.
Devido à uma outra apresentação que iria ter na quinta-feira que precedia a estréia, não tivemos condições de fazer o ensaio geral.
Tudo bem, outro problema, dentre tantos outros, que foi contornado. O dia 11 chegou e, aos trancos e barrancos, subimos ao palco com muita vontade de fazer um bom trabalho.
Tudo bem, outro problema, dentre tantos outros, que foi contornado. O dia 11 chegou e, aos trancos e barrancos, subimos ao palco com muita vontade de fazer um bom trabalho.
Durante a apresentação da sexta-feira ocorreram algumas falhas, mas nada que tirasse o brilho da responsablidade com a qual trabalhamos desde meados do mês de setembro de 2006. No dia 12 estávamos muito mais tranqüilos e finalizamos a temporada no domingo, dia 13, segundo minha opinião, com a melhor apresentação de todas.
Já apresentamos em Entre Rios, e no momento estamos nos preparando para Lafaiete, Congonhas e Belo Horizonte, por enquanto.
O que tem significado pra mim, em particular, fazer um espetáculo de uma qualidade tão grande, não tem como explicar. Dentre muitas coisas, aprendi a usar a sensibilidade para sentir a beleza do conteúdo dos poemas e das músicas todos os dias e a cada dia de uma forma mais intensa. Tudo isso, graças a um trabalho cuidadoso e realizado com muita vontade e firmeza, para enfrentar todas as dificuldades, principalmente em função de fazer arte de forma amadorística, e sem muito incentivo para a questão cultural em uma cidade que tem tudo para ser muito melhor nesse ponto, e não é, sabe-se lá porquê.
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